Uma divisão que nunca fez sentido
Thomas Barta defende que devíamos deixar de dizer “marketing de performance” e “marketing de marca”. Os termos separam o que não se separa e tiram credibilidade ao marketing junto dos CEOs.
Concordo. Todo o marketing constrói marca e todo o marketing tem de funcionar.
Quem começou a carreira no digital sempre fez as duas coisas no mesmo conteúdo. O mesmo post que gerava um clique dizia às pessoas o que era a marca. Seguia um tom, uma personalidade, e construía reputação. No entanto, só se media o clique.
“A divisão não estava no trabalho. Estava na forma como medíamos.”
A IA torna esta divisão impossível. E ainda bem.
1. Produzir ficou rápido e barato.
Criar anúncios e variações já não é o que diferencia. Quando todos produzem muito, o que distingue é a força da marca: ser reconhecida e escolhida.
2. As pessoas perguntam à IA o que devem escolher.
Aí não há canal de marca nem canal de performance. O assistente responde com base no que a marca construiu.
Reputação × relevância
Mas a reputação sozinha não chega. Ninguém pergunta a um assistente “qual é a melhor marca?”. Numa reflexão com o Filipe Moreira, surgiu a peça que completa: a relevância. Ninguém pergunta a um assistente “qual é a melhor marca?”. Pergunta “qual é a melhor opção para mim, nesta situação, com este orçamento?”.
Ganha a marca que está ligada a essa necessidade concreta, não apenas a mais conhecida.
“Reputação diz quem és. Relevância diz para quem és.”
E essa relevância constrói-se com tudo o que a marca publica. Os modelos de IA não sabem de que orçamento saiu um conteúdo. Só sabem se ele responde a alguma coisa.

A marca como ecossistema
Foi sempre assim que olhámos para as marcas: como um ecossistema. Cada conteúdo, cada canal e cada equipa contribui para a marca. E a “magia” só acontece quando as áreas trabalham juntas.
Na prática, isto pede três coisas:
Propostas de valor claras, ligadas às necessidades das pessoas.
- Coerência em todos os pontos de contacto, para que pessoas e modelos de IA percebam para que serve a marca.
- Uma medição única, que olhe para o resultado de hoje e para o que se está a construir para amanhã.
A pergunta certa
A pergunta já não é “marca ou performance?”.
“O que estamos a construir com tudo o que fazemos?”


